quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sem salários, vigilantes da Uenf ameaçam parar



Sem receber salários desde o último mês de março, vigilantes de uma empresa terceirizada que presta serviço para a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) podem paralisar as atividades na próxima semana. A data coincide com a volta das aulas da graduação na universidade, que foi divulgada em calendário no site da Uenf. Os trabalhadores realizaram uma manifestação na manhã desta quinta-feira (18), em frente ao campus da unidade. De acordo com o presidente do sindicato dos Vigilantes do Norte e Noroeste Fluminense, Luiz Rocha, são 84 trabalhadores com salários atrasados.




— Faremos uma paralisação por tempo indeterminado caso o problema não seja resolvido. Esses trabalhadores, que atuam dentro da universidade, estão passando por transtornos. O último salário que eles receberam foi referente a fevereiro. Nem vencimentos, nem ticket refeição, nem vale transporte. Os funcionários foram chamados para uma reunião para que receberem um sacolão. Mas o vigilante não vai trabalhar em troca de um sacolão. É lamentável — disse Luiz Rocha.
Ainda segundo ele, nenhuma previsão de pagamento teria sido dada até a tarde desta quinta. “O reitor da universidade alega que não estaria recebendo as verbas do governo e que, por isso, não tem repassado para a empresa de segurança. Já a empresa de segurança alega que não paga porque não tem o repasse. O trabalhador não pode ficar nesse fogo cruzado. Vai ficar até quando nesta situação?”, indagou Luiz, acrescentando que o ato será realizado durante todo o dia.

Edson Fonseca, 46 anos, é um dos vigilantes que está com salários em atraso. Ele contou que a categoria está passando por transtornos. “Muitos não têm dinheiro para colocar o que comer dentro de casa, não têm dinheiro para pagar passagem ou colocar combustível nos veículos. A gente vem trabalhar para honrar o nosso nome como trabalhador digno e honesto, porque não há condições financeiras ou psicológicas para isso. Estamos vindo por esforço de cada um mesmo. Estamos sem as condições mínimas para trabalhar”, relatou.
A reitora de graduação da Uenf, Marina Suzuki, confirmou a falta de pagamentos não só aos vigilantes, mas também a todos os funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviços à universidade. “A paralisação dos vigilantes vai dificultar muito o funcionamento da universidade. Isso nos deixa extremamente preocupados, principalmente com os cursos do turno da noite. Nós estamos pedindo reforço de segurança ao 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM)”, disse Suzuki. A reitora acrescentou que os pagamento já foram solicitadas ao Governo do Estado, responsável pelo repasse, mas que ainda não foram efetivados.
A equipe de reportagem também buscou contato com a secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, com o 8º Batalhão de Polícia Militar e com a empresa, mas sem êxito.

FONTE: JORNAL FOLHA DA MANHÃ

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